Infelizmente, apesar de toda a "psicologização" da sociedade, atualizada pela mídia ainda existe uma tendência do ser humano a negar o seu mundo mental. Tal negação costuma dar lugar a análises superficiais e maniqueístas que sobrepujam fatores políticos, sociais, culturais e emocionais no momento de avaliar um ato anti-social, tal como o da "drogadição".
A visão de totalidade do ser é talvez muito angustiante para nós, porque ela requer articulações com o nosso interior, que muitas vezes nos leva a decepções, culpas e ferimentos narcísicos. Dessa maneira torna-se mais fácil avaliar o uso das drogas como fruto das amizades, da televisão... da adolescência...
Devido a essa associação droga/adolescente, é comum os pais e os educadores acharem que esse vício surge por causa da adolescência, como se essa época fosse completamente dicotomizada de toda a vida do indivíduo.
Dentre os fatores políticos, sociais, culturais e emocionais consideramos que a combinação de dois aspectos pode ser importante na determinação ou não do uso das drogas. São eles: heranças genéticas e falhas ambientais nos primeiros anos de vida da criança. Entende-se por herança genética, tendências adictas (de dependência química) do ser humano, que vêm com ele desde o seu nascimento. As falhas ambientais referem-se a toda continência familiar indispensável no início da vida da criança.
Podemos observar ainda, a presença da droga ao longo da história. Os britânicos incentivaram o uso do ópio pelos chineses para facilitar a conquista em seus territórios; o movimento de paz na década de 60, valeu-se da maconha para aliviar o sofrimento causado pela guerra do Vietnã, costume depois seguido pelos soldados sobreviventes traumatizados de guerra; tribos indígenas ainda usam drogas em rituais religiosos.
Percebemos portanto que a droga está ligada ao sofrimento e ao primitivo.
Mas a droga está aí, do ecstasy à maconha, do cigarro à cocaína, do álcool ao LSD. Diferentemente do que se pensa, é difícil dizer qual delas é mais prejudicial.
A sociedade anda hoje viciada em diferentes tipos de "drogas": no trabalho, na bolsa de valores, na cotação do dólar, na malhação, na plástica, no culto ao corpo... Podemos observar como essa situação tem afetado as relações familiares e pessoais.
Dessa forma, cabe aos profissionais da educação e da saúde desenvolverem um trabalho que pode ser tanto preventivo, como de "cura". Já na pré-adolescência pode-se oferecer um trabalho preventivo, no sentido de orientar e informar sobre o problema da droga. Quando o problema já existe e precisa ser tratado, é importante encaminhar o jovem para o tratamento que lhe seja mais indicado, tal como: psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico, acompanhante terapêutico ou mesmo internação.
Mas esse é um assunto complexo e por isso foi escolhido como um dos temas a ser desenvolvido no curso sobre Adolescência que o Instituto está oferecendo em São Paulo e Campinas.
Marília Amaro da Silveira Santos e Giovanna Albuquerque de Lima