A obesidade é considerada hoje um importante problema de saúde pública. A dificuldade de emagrecer se deve ao fato de a doença ou transtorno alimentar ser multifatorial, sendo vários aspectos responsáveis: genético, neurológico, endocrinológico, medicamentoso, dieta alimentar inadequada, inatividade física e fatores psiquiátricos e psicológicos.
Depois de utilizar vários recursos não cirúrgicos visando o emagrecer, e não obter o resultado esperado, a alternativa é a cirurgia bariátrica. Após a cirurgia ocorre o sucesso na redução do peso e uma melhora do comportamento alimentar e na qualidade de vida dos pacientes. Porém, o emagrecer traz ao paciente a perda de suas referências e exige uma nova vivência.
A perda de peso e as mudanças decorrentes da cirurgia bariátrica, tanto podem fazer com que sintomas psíquicos fiquem ainda mais evidentes, como também podem impulsioná-los a buscar novas estratégias de enfrentamento de situações antes paralisadoras.
Ao solicitar a intervenção cirúrgica, há um desejo do indivíduo de realizar mudanças no corpo e na própria vida. Porém, o impacto causado na subjetividade do sujeito ao realizar a cirurgia bariátrica é significativo, iniciando com a mudança do aparelho digestivo (gastroplastia), e posteriormente, com vivências inerentes ao processo de emagrecimento (mudança na imagem corporal; excesso de pele; cicatriz das cirurgias).
É o momento de construir novas referências, encontrar uma nova identidade, não mais a do “gordo”. Muitos não elaboram tantas transformações, justificando o reganho de peso ou a substituição do sintoma por outro transtorno alimentar ou compulsão.
Outros conseguem realizar as mudanças necessárias, melhorando o seu estado emocional, diminuindo o nível de ansiedade e de depressão.
Fica evidente a importância do acompanhamento psicológico e psiquiátrico para estes pacientes, contribuindo com a melhora da qualidade de vida e das relações interpessoais.
Anna Claudia Queiroz é professora do curso Transtornos Alimentares ministrado no Pieron. Este artigo é um pequeno resumo do estudo “A Importância do Tratamento Psicológico Após a Realização da Cirurgia Bariátrica em Pacientes Obesos Mórbidos: Quando o que se Perde Vai Além do Peso”, publicado nos Anais do III Congresso Interamericano de Psicologia da Saúde: Territórios do Psicólogo Hospitalar “O mapa não é território”, 2005. Prêmio menção honrosa do Instituto de Psicologia do Hospital das Clínicas HC-FMUSP.