Coach como ‘designer’

Marcos Luiz Bruno

Certas ações, atitudes e, principalmente, valores, parecem permear a ação de um líder-coach. Compartilho algumas que se tornaram evidentes em nossa prática.

  1. O foco do coaching está no processo que busca obter melhores níveis de desempenho. Se o liderado estiver iniciando na função, o foco será garantir uma efetiva integração social para que a melhor performance ocorra rapidamente.
  2. O líder – como coach – interessa-se profundamente pelas pessoas, suas características, o que têm de melhor. Faz parte dos valores do coach este interesse. Ele sabe que as pessoas não mudam suas personalidades como trocam de roupa, e nem se tornarão intelectualmente diferentes da noite para o dia.
  3. O líder-coach escolhe com quem quer trabalhar. Forma sua equipe. E coloca-se no papel de provedor.
  4. Como coach, e como líder, atribui responsabilidades e transmite confiança na capacidade das pessoas em usar seus julgamentos.
  5. O líder-coach mantém canais abertos para a troca de feedback, e não gasta dinheiro com processos formais de avaliação 360 graus. Ele age em 360 graus. E sempre investe no auto e hetero conhecimento. E trata isto com humildade.
  6. O líder-coach interessa-se em compreender os limites do potencial de seus liderados. Sabe o quanto a permanência de seu liderado em determinada função trará benefícios para o liderado e para o grupo; e está atento ao momento em que o potencial do liderado começa a se mostrar maior que o cargo.
  7. O líder-coach também está atento aos motivos que levam o seu liderado a não desempenhar o seu melhor dentro do escopo de ação.
  8. Agora, o líder-coach será um ‘designer’. Cada pessoa tem suas singularidades. Provavelmente, o bom líder-coach já as conhece.
  9. O bom ‘designer’ considera as particularidades do porquê certas pessoas não desempenham tanto quanto poderiam.
  10. O ‘designer’ analisa a relação do liderado com as tarefas e constrói situações para que o liderado se surpreenda, motive-se e explore o que percebe como limitações, para que ouse experimentar.
  11. O líder-coach sabe que mudanças de atitude passam por revisões de crenças, valores, e que as pessoas atuem em um novo patamar de comportamento, será necessário estar presente e ‘trabalhar’ com o liderado.
  12. O ‘designer’ é engenhoso. Enxerga à frente. Vislumbra meios para expor seu liderado – com segurança – a novas maneiras de abordar tarefas, relações e decisões.
  13. O líder-coach tem paciência com este processo, e urgência para com o desenvolvimento.
  14. O líder e liderado precisam-se mutuamente.
  15. O liderado só reconhece um líder quando este é capaz de agregar valor ao trabalho do liderado. Do contrário, esta será uma relação submissa, passiva ou formal.

Uma liderança gerencial com ações em coaching não requer super-pessoas. Liderar é coisa para mortais, gente como nós. Gente que tem nos seus valores um profundo interesse pelas pessoas, tal como elas são, e gente que quer contribuir para com um ambiente melhor em torno de si mesmo.

   

MARCOS LUIZ BRUNO: psicólogo (CRP 06/03354), mestre em Administração, especializado em Grupos Operativos e Psicodiagnóstico, especializado em Aprendizagem pelo Dynamic Learning Center-Califórnia e em Enriquecimento Instrumental pelo International Center for the Enhancement of the Learning Potential-Jerusalém. Experiência em Desenvolvimento de RH e Diretor do Pieron.

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