Terapia Cognitiva

O método criado por Aaron Beck nos Estados Unidos na década de 60 para tratar da depressão estendeu-se para outras patologias e áreas com eficiêcia comprovada. Quem informa é Ana Maria Serra, doutora em Psicologia Experimental Clínica, especialista em Terapia Cognitiva (TC) pelo Institute of Psychiatry da Universidade de Londres, e professora do curso de Formação em TC, ministrado no Instituto Pieron. Mas o sucesso da terapia, enfatiza Ana Maria, só é possível se houver aderência e competência no uso do modelo por parte do terapeuta.

As principais características da TC são: o tempo de aplicação é curto e limitado e o método é focal e diretivo. O objetivo final da TC é que o paciente se torne seu próprio terapeuta cognitivo. "A maneira como o indivíduo pensa determina como se sente", explica Ana Maria. Muitos pensamentos, segundo ela, considerados "reais e corretos" podem refletir percepções distorcidas da realidade e podem ser indícios de dificuldades em lidar consigo, com o mundo e com o futuro. Na maioria dos casos, esclarece, as dificuldades instalaram-se gradualmente e a visão que a pessoa passa a ter de si e do resto pode ser bem diferente da que tinha antes. "E é justamente desse tipo de dificuldade que a Terapia Cognitiva trata".

Na TC são primeiro definidas as áreas de problemas, fixadas as metas e traçado o mapa da terapia, na qual o terapeuta e o paciente são parceiros. "Na psicoterapia tradicional, o terapeuta detém o modelo, ele faz o diagnóstico e determina as metas da terapia e isso não é necessariamente partilhado com o paciente. O paciente é objeto daquela intervenção", afirma a psicóloga. Já neste método, o paciente é objeto e sujeito da intervenção e o terapeuta é apenas um facilitador, um moderador. "Nada é feito sem a participação explícita do paciente", explica a psicóloga.

Os problemas enfrentados pelo indivíduo são utilizados como exemplos para o treinamento de recursos para tornar a vida mais eficiente. Em TC, segundo a psicóloga, o progresso está associado a uma mudança de paradigma pelo próprio paciente. "O objetivo é que ele atinja a mudança, passe a encarar e lidar com a vida de uma maneira diferente". Ana Maria afirma que a eficiência do método é comprovada no momento em que o paciente tenta uma nova maneira de perceber o evento, adota uma nova estratégia para lidar com as dificuldades e obtém resultados. "Não é preciso mais voltar ao passado, à raiz do problema para resolvê-lo". Ao neutralizar os fatores que mantém o problema, assegura a psicóloga, o problema está sanado. Adequada ao momento sócio-econômico brasileiro, a TC é feita em tempo curto e limitado. Em geral, o tratamento dura de 16 a 24 sessões com mais três ou quatro sessões de acompanhamento realizadas a cada três meses. Ana Maria diz que o método tem sido eficaz não só no tratamento de distúrbios psicológicos, assim como nas áreas educacional, esportiva, organizacional e como coadjuvante no tratamento de casos clínicos.

Da ansiedade às fobias

A TC é um método diretivo porque o terapeuta tem um papel ativo. "Ele sabe de quais informações necessita, a meta a ser alcançada em cada intervenção e como vai desafiar cada padrão cognitivo negativo". A eficácia da TC como um sistema de psicoterapia tem sido verificada desde 1977. "Inúmeros estudos controlados têm demonstrado sua eficácia no tratamento de transtornos de ansiedade, síndrome do pânico, dependência química, alcoolismo, transtornos alimentares e fobias, além da depressão.

Segundo Martin Seligman, que escreve sobre o método no contexto das organizações, as pessoas que têm sucesso em suas carreiras são as otimistas. Ana Maria explica que as empresas que adotam princípios de TC conseguem menor taxa de turnover, maior rendimento e produtividade e relações interpessoais melhores. "A TC é baseada em pesquisa, é um sistema completo - além de propor um modelo de psicopatologia, oferece um conjunto de técnicas e estratégias de psicoterapia diretamente baseadas naquele modelo".

Para saber mais sobre TC leia:

*Ambos podem ser encontrados no Instituto Pieron
Terapia Cognitiva: uma mudança de paradigma em psicoterapia

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