A Psicopatologia vista sob os mais diversos ângulos

O curso de Psicopatologia oferecido pelo Pieron a psicólogos e médicos é bastante abrangente. Aborda as psicopatologias médica e analítica, além da psicofarmacologia. Este estudo integrado das alterações mentais do ponto de vista da doença é feito pelo professor José Rubens Naime, formado em psiquiatria pela Escola Paulista de Medicina e especializado em psicanálise (Freud) e psicologia analítica (Jung).

A psiquiatria atual, com os avanços da neurociência, concentrou-se demais nos aspectos orgânicos - enfatizando a neurologia - e rechaçou os aspectos psicodinâmicos e psicanalíticos. Na opinião do professor, esse foco exagerado é lamentável: "Deixa-se de lado a relação do indivíduo consigo mesmo e com o mundo e dá-se muita atenção ao aspecto laboratorial". Exemplo disso é a expressiva venda de medicamentos modernos elaborados para alegrar as pessoas. "É pura ilusão, como se a felicidade não fosse um aspecto pessoal, que dependesse da relação de desejos e do momento da vida. Esta felicidade - do tipo medicamentosa - só pode estar ligada à conquista material, às compras, ao sexo, à comida."

Programa

O programa do curso é composto pelos tópicos: estudo neuropsiquiátrico (sistema nervoso central, periférico e neuroendócrino); transtornos de ansiedade, de humor e psicóticos; doenças psicos-somáticas; compreensão psicanalítica (Freud, Melanie Klein e Jung); e tratamentos: medicamentos, psicoterápico (individual e em grupo) e terapia ocupacional.

As psicopatologias de maior ocorrência hoje são: a esquizofrenia, cuja causa ainda permanece um enigma, e as doenças de expressão, como a depressão e a síndrome do pânico. A psicopatia - classificada como doença de caráter - ganha cada vez mais atenção dos especialistas. O stress também preocupa, principalmente no interior das organizações. O stress - explica o professor - é sadio até certo nível, mas pode se transformar em um problema, ou seja, num transtorno da ansiedade. Os indivíduos têm quatro níveis de organização: psíquico, orgânico, familiar e social. O desequilíbrio acontece quando um ou mais desses "pilares" da vida estiverem alterados. Então, o organismo se prepara para digerir novas informações e se o indivíduo não tiver condições de elaborar o sofrimento, ele o transforma em dor psíquica (angústia) e física. "A pessoa fica em estado de alerta permanente e a grande maioria precisa de ajuda especializada", conclui o psiquiatra.

IPPA
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