Por que adoecemos? Por qual motivo alguns desenvolvem uma úlcera e outros, problemas renais? Existem semelhanças entre pessoas que sofrem da mesma doença? A Psicossomática apresenta respostas a estas e a tantas outras questões ligadas à saúde mental do ser humano. Quem afirma é a psicóloga Edilizete Gardinal, que ministra curso sobre o assunto, no Instituto Pieron.
Em diálogo constante, o mundo emocional está intimamente interligado ao mundo orgânico. A professora Bete - como gosta de ser chamada - explica que o desequilíbrio emocional muitas vezes pode se tornar intenso a ponto de se valer do corpo físico para tentar elaborar o conflito. "O organismo é uma máquina perfeita. Se fizermos algo que o desfavoreça, ele fará de tudo para harmonizar-se novamente".
A energia psíquica não trabalhada, a que fica represada no corpo, pode se manifestar de três maneiras: a psicose, a psicossomática e a neurose, aqui apresentadas em ordem de gravidade. "Em qualquer momento de nossas vidas podemos adotar um desses caminhos, por isso é importante o psicólogo saber o que fazer, como fazer e por que fazer".
Na psicossomática, o indivíduo fere seu corpo, somatizando seu problema. "A pessoa elege um órgão de acordo com seu desejo inconsciente e fases do desenvolvimento psicossexual - oral, anal e fálico", explica a professora. Ela afirma que esta manifestação do conflito em forma de doença é muitas vezes difícil de ser trabalhada, já que o indivíduo tem dificuldade de viver a emoção, de falar sobre ela. "Cabe a nós, psicoterapeutas, criar recursos para acessar seu campo emocional, utilizando técnicas como: imaginação dirigida, trabalho lúdico, recortes, música, entre outros".
Dentre as doenças mais comuns, destaca-se mais uma vez o stress. O stress é a mola propulsora de todo processo de desequilíbrio, que ativa o sistema límbico - responsável pelo campo emocional no cérebro. "O sistema ativado incessantemente vê-se obrigado a escolher uma saída na tentativa de ab-reação (descarga emocional mais ou menos intensa) dos impulsos reprimidos", diz. O tratamento psicoterápico nesses casos, enfatiza, é sempre muito importante.
Bete, que também é membro do Núcleo e da Associação de Medicina Psicossomática, comenta que os participantes do curso aumentam seu autoconheci-mento, porque "se auto-referenciam muito".