"Entramos no quinto ano do século XXI passando por duas experiências marcantes. O 11 de setembro e a recente catástrofe no sul da Ásia, sem falar de inúmeras outras e da insistente recorrência das guerras. Nestes momentos, a cooperação e a solidariedade das pessoas são vitais e espontâneas.
Estar no século XXI representaria viver uma grande aventura, em que a ficção científica marcaria mudanças jamais sonhadas. Um outro olhar seria aquele do romance "1984", de George Orwell, sob o qual seria esperado um mundo já muito mais automatizado e politicamente controlado. Embora guerras sejam recorrentes, as maiores disputas parecem ser a das aquisições e fusões, e a da dominação econômica. A ideologia econômica como referência dominante estará em cheque neste século. Um século ameaçado por aquilo que Edward Wilson, em "O Futuro da Vida", chama de "o grande gargalo" de 2050 aproximadamente, quando a vida terrestre passará pelo grande teste de sobrevivência.
A conjunção de fatores como a degradação do ecossistema, a escassez de recursos e o crescimento da população, entre outros, é a maior ameaça ao planeta. Estaremos frente a uma crise de valores. Ou frente a uma global oportunidade, a de traduzir a solidariedade obtida com as catástrofes, canalizando-a para uma perspectiva de alta escala envolvendo o planeta inteiro.
Qual o olhar que um pequeno agricultor do nordeste do Brasil ou da Tailândia ou da África lança sobre o planeta? Muito diferente do olhar do CEO da GE ou dos políticos da ONU ou dos presidentes dos países mais poderosos? Qual olhar que você - engenheiro, psicólogo, professor, minerador, vendedor de seguros - lança hoje sobre o mundo em comparação ao dos sul-asiáticos?
Um mesmo mundo com tantos olhares distintos! O poder de mudar o mundo está nas mãos de, cada vez mais, poucos! Quem são esses poucos? Resumem-se em governos, iniciativa privada e ciência. Pode-se contar nos dedos! Curiosa conta diante das sete bilhões de pessoas que habitam o planeta!
Entre o sucesso mundano e o valor agregado ao acionista, o indivíduo está aflito. Olhar para o horóscopo? Olhar para a conta bancária? Olhar para seu líder? Olhar para si mesmo?
A pergunta, provável, deste século, é o que fazer para quepessoas e planeta sobrevivam... felizes? Identificando-nos não com governos, com poderosos investidores, nem aos maiores cientistas. Nós - seres bem comuns - olhamos para nossa existência do ponto de vista da finitude, solidão, poucos amigos, família, e ainda queremos a felicidade! Nossa e daqueles que podemos influenciar imediatamente. Para mim, para você, provavelmente para poucos. Se acreditarmos num efeito dominó, provavelmente para muitos, muitos.
Talvez o olhar importante neste contexto seja o olhar para o interior. Entre a sedução da tecnologia moderna e o gargalo de 2050, como podemos contribuir? Praticamos a solidariedade sempre que solicitados, por catástrofes ou por pedidos de moedas nos semáforos. Vinculamo-nos às ONGs, praticamos nossas religiões. Mais do que nunca, o olhar necessário parece ser o olhar para o mundo interior. Como alinhar nossos valores, autoconhecimento e projetos com algo maior? Este algo maior envolve algo muito concreto e objetivo: chama-se vida! Vida imediata. Nossa e de nossos sucessores. Sucessores imediatos. É tempo da vida interior. O pequeno dará sua contribuição para o maior através de pequenas obras.
Mas acredito no efeito dominó. Investir em si mesmo é o recurso que mais está à nossa disposição, nosso controle, e que mais valor agregado trará para o conjunto. Parece que estamos no limiar de uma questão religiosa ampla. Religioso em seu sentido fundamental: re-ligar.
Este ano, o Pieron passa a disponibilizar para pessoas físicas e jurídicas uma atividade voltada para o desenvolvimento pessoal: o Counseling, para a performance e para a carreira. Acreditamos que parte da felicidade está num feliz encontro entre a capacidade e o uso dela no trabalho, alinhado a valores. O foco é trazer as pessoas para o estado de "flow". Um pleno encontro entre capacidade e complexidade. Tanto as pessoas como o trabalho lucram. O alinhamento dos valores com o trabalho é a fonte de significado. E o significado em tudo o que fazemos é, provavelmente, a primeira pedrinha a cair na cadeia de dominós.
Que tenhamos uma feliz jornada para o nosso centro! Este alinhamento entre si mesmo e o macroambiente pode ser a maior das contribuições. Vale para o pequeno, o grande! É uma participação essencial!.